Atividades de Matemática para Educação Infantil 4 e 5 Anos

Atividades de matemática para Educação Infantil 4 e 5 anos com jogos, receita, bingo, números, quantidades e formas geométricas. Veja experiências práticas.

MATEMÁTICA

10/8/20266 min read

Atividades de matemática para Educação Infantil 4 e 5 anos
Atividades de matemática para Educação Infantil 4 e 5 anos

Quando pensamos em atividades de matemática para Educação Infantil 4 e 5 anos, é fácil imaginar números no papel, fichas ou propostas para preencher.

Mas, na pré-escola, há muita matemática acontecendo antes de chegar ao registro.

Ela aparece quando a criança tenta descobrir quantos blocos correspondem ao número escrito no quadro, quando observa atentamente alguns objetos para descobrir qual deles desapareceu, quando escolhe números para sua cartela de bingo ou separa formas que considera parecidas.

Em algumas propostas, a experiência termina na própria brincadeira. Em outras, aquilo que foi vivido ganha também um registro no papel.

Separei aqui cinco atividades que realizei com minhas turmas e que mostram justamente esses diferentes caminhos.

1. Jogo de números e quantidades: matemática sem precisar de registro

Essa é uma brincadeira simples, que pode acompanhar a turma durante praticamente todo o ano.

Divido as crianças em dois grupos, procurando equilibrá-los e mesclando crianças com diferentes níveis de conhecimento. Costumo usar as próprias cadeiras para organizar os times e dar nomes a eles a partir das crianças: “grupo da Maria”, “grupo do João”...

Antes de começar, combinamos uma regra importante: não vale ajudar o amigo que está realizando o desafio. Ele vai fazer do jeito dele — e está tudo bem. É uma brincadeira.

Escrevo no quadro um dos números que já trabalhamos e chamo uma criança. O desafio é representar aquela quantidade utilizando blocos ou outro material disponível na sala.

Depois conferimos juntos. Se a quantidade estiver correta, o grupo marca um ponto.

Conforme novos números são trabalhados, eles podem ser incorporados ao jogo. Por isso, a brincadeira pode começar com poucas quantidades e ir ficando mais desafiadora ao longo do ano.

As crianças gostam muito da competição entre os grupos, mas conversamos antes também sobre ganhar e perder. Se um grupo não ganhar naquele dia, haverá outras oportunidades para jogar.

E essa é uma daquelas propostas que, para mim, não precisam terminar em uma folha. Há muita aprendizagem acontecendo ali: reconhecer o numeral, pensar na quantidade, selecionar os objetos, contar, conferir e acompanhar as estratégias dos colegas.

2. Receita: quando a matemática aparece em uma situação real

Trabalhar com receita é uma oportunidade muito rica porque as quantidades aparecem em uma situação que tem sentido para as crianças.

Em uma das experiências, preparamos suco de maracujá.

Antes do preparo, apresentei um cartaz ilustrado com a receita. Nele, os ingredientes apareciam acompanhados das respectivas quantidades: maracujás, copos de água e colheres de açúcar.

Observamos o cartaz, conversamos sobre os ingredientes e sobre quanto precisaríamos de cada um. Depois fomos para a prática, com as crianças participando das diferentes etapas do preparo.

Foto: arquivo pessoal - Prô Edi

Foto: arquivo pessoal - Prô Edi

Atividade de números e quantidades para Educação Infantil com blocos
Atividade de números e quantidades para Educação Infantil com blocos

Foto: arquivo pessoal - Prô Edi

Nesse caso, o registro não apareceu antes da experiência. Ele nasceu de algo que as crianças tinham acabado de viver.

3. Jogo da memória com objetos da sala

Essa é outra brincadeira muito querida pelas crianças e que praticamente não exige preparação.

Coloco sobre uma mesa alguns objetos do cotidiano da sala. A quantidade depende do grupo: posso começar com três ou quatro e aumentar conforme percebo que as crianças estão conseguindo lidar com o desafio.

Chamo uma criança e peço que observe atentamente tudo o que está sobre a mesa.

Depois, cubro os objetos, retiro um deles sem que ela veja e descubro novamente.

O desafio é responder:

Qual objeto sumiu?

Enquanto uma criança tenta descobrir, o restante da turma acompanha atentamente. Todos ficam curiosos e começam a formular suas próprias hipóteses.

Aqui faço diferente do primeiro jogo: se a criança não conseguir descobrir, a turma pode ajudar.

Também gosto de trocar os objetos depois de algumas rodadas. Assim, a brincadeira não fica monótona e todas as crianças podem ter a oportunidade de participar.

É uma atividade muito simples, feita com aquilo que já temos na sala, mas que mobiliza observação, memória, comparação e atenção às características dos objetos.

4. Bingo de números feito pelas crianças

No bingo, gosto de envolver as crianças desde a preparação da cartela.

Entrego uma cartela com os espaços em branco e peço que cada criança escreva um número em cada espaço, considerando os números que já estamos trabalhando.

Depois, elas contornam os numerais com canetinha para deixá-los bem visíveis.

Só então vamos para o jogo.

Se for necessário, primeiro explico como funciona o bingo. Os números vão sendo sorteados e cada criança procura em sua própria cartela.

Também costumo preparar pequenos mimos. Adesivos funcionam muito bem.

Quando uma criança fecha a cartela, recebe seu mimo, mas o bingo não termina. Continuamos jogando com os demais até que todos também consigam completar a sua.

Dessa forma, mantemos a expectativa e a diversão do jogo sem fazer com que tudo acabe no momento em que aparece o primeiro vencedor.

Depois, a cartela pode ser colada no caderno como registro.

E aqui acontece algo interessante: a própria criança participou da construção do material que depois ficou registrado.

5. Formas geométricas: primeiro manipular, depois registrar

Para trabalhar as formas geométricas, costumo começar pelos materiais concretos.

Uso blocos lógicos, mas a proposta também pode ser feita com formas recortadas em papel-cartão.

Ofereço formas já conhecidas pelas crianças, variando tamanhos e quantidades, e proponho um desafio:

“As formas parecidas têm que ficar juntas, como se fossem uma família.”

A atividade pode ser feita em duplas ou pequenos grupos. Assim, as crianças observam as peças, conversam e ajudam umas às outras a decidir onde cada uma deve ficar.

Somente depois dessa experiência passamos para o papel.

Entrego uma folha sulfite com várias formas misturadas. As crianças pintam, recortam e depois colam em outra folha, agrupando as formas parecidas, como haviam feito anteriormente com as peças.

Depois de pronto, praticamente todas quiseram experimentar o suco. E o cartaz continuou na parede da sala.

Foi interessante perceber que elas conseguiam olhar para ele e contar o que havíamos feito.

Depois, propus que registrassem a receita no caderno de desenho do seu jeito, utilizando o cartaz como apoio.

Algumas crianças ficavam preocupadas em registrar corretamente. Levantavam, aproximavam-se do cartaz, conferiam uma informação e voltavam para continuar seu trabalho.

Crianças preparando receita de suco de maracujá e explorando quantidades
Crianças preparando receita de suco de maracujá e explorando quantidades
Registro infantil da receita de suco de maracujá
Registro infantil da receita de suco de maracujá

Foto: arquivo pessoal - Prô Edi

Atividade de classificação e agrupamento de formas geométricas na Educação Infantil
Atividade de classificação e agrupamento de formas geométricas na Educação Infantil

E então aparecem aquelas falas que mostram que a experiência anterior continua presente:

“Como uma família, né, prô?”

Sim. Como uma família.

Depois dos agrupamentos, ainda podemos observar e conversar sobre as quantidades: qual grupo tem mais? Qual tem menos? Há grupos com a mesma quantidade?

É uma proposta em que classificação, formas e quantidades acabam se encontrando naturalmente.

Do brincar ao registro — e nem sempre ao registro

Olhando para essas cinco atividades, há uma coisa que considero importante: nem toda atividade de matemática precisa terminar no papel. E nem todo registro precisa começar nele.

No jogo dos blocos, a experiência pode se encerrar na própria brincadeira. A criança pensou, contou, relacionou número e quantidade, conferiu e observou as estratégias dos colegas.

Na receita, primeiro houve uma situação real. As crianças observaram quantidades, participaram do preparo, experimentaram e só depois registraram aquilo que haviam vivido.

No bingo, a escrita dos números fez parte da própria construção do jogo e a cartela depois pôde ser guardada no caderno.

Com as formas geométricas, primeiro vieram as peças nas mãos, as tentativas e os agrupamentos. Depois, a criança encontrou uma maneira de representar no papel aquilo que já havia experimentado concretamente.

São caminhos diferentes.

Mas em todos eles, a criança teve algo para pensar antes de ter algo para registrar.