Poesia na Educação Infantil: o Trem da Poesia

Poesia na Educação Infantil: conheça o Trem da Poesia, uma experiência com crianças de 4 e 5 anos que uniu literatura, brincadeira e expressão.

LEITURA E LITERATURA

10/1/20265 min read

Ilustração do projeto Trem da Poesia para trabalhar poesia na Educação Infantil
Ilustração do projeto Trem da Poesia para trabalhar poesia na Educação Infantil

Quer fazer essa viagem com a sua turma?

Guardei o roteiro que utilizei para organizar nossa apresentação e resolvi compartilhá-lo.

Nele estão a organização da viagem, os personagens, as estações, as falas do maquinista e do ajudante e as indicações dos movimentos utilizados na apresentação.

Você pode utilizá-lo como modelo ou adaptá-lo: escolher outras poesias, criar novas estações, modificar personagens e organizar a viagem de acordo com as características da sua turma.

Quanta coisa cabe dentro de uma brincadeira?

Olhando para o Trem da Poesia depois de pronto, é fácil enxergar a apresentação. Mas havia muito mais acontecendo durante o percurso.

As crianças tiveram contato com diferentes autores e poesias, perceberam rimas e a sonoridade das palavras, ampliaram experiências de oralidade e escuta, cantaram, desenharam, representaram personagens, utilizaram o corpo e participaram de uma construção coletiva.

Essas diferentes formas de expressão já estavam entre os objetivos previstos para o projeto: comunicação oral e escrita, criação e percepção de rimas e ritmos, expressão artística, musical e corporal.

Mas talvez uma das coisas mais interessantes tenha acontecido justamente porque repetimos.

De tanto fazer o percurso, as crianças se apropriaram dele. Já não dependiam apenas do adulto para saber o que vinha depois. Conheciam as falas, ajudavam os colegas e sabiam como aquela viagem funcionava.

E o trem chegou à última estação...

O Trem da Poesia nasceu como uma proposta para aproximar as crianças da poesia e acabou se tornando uma das brincadeiras da turma.

A cada parada, conhecíamos um autor, uma poesia e uma nova maneira de brincar com as palavras.

Quando chegou o momento de apresentar, aquelas poesias, falas e movimentos já faziam parte da experiência das crianças.

E talvez tenha sido justamente por isso que o Trem da Poesia deu tão certo.

Um trem com maquinista, ajudante, passageiros, bilhetes e muitas paradas. Mas, em vez de cidades, nossas estações tinham nomes de poetas.

Assim nasceu O Trem da Poesia, uma experiência realizada com crianças de 4 e 5 anos, em que fomos conhecendo poesias, autores, rimas, sons e diferentes maneiras de brincar com as palavras.

Enquanto trabalhávamos as poesias, nossa viagem também ia tomando forma. A cada novo texto, conhecíamos seu autor, explorávamos a poesia e acrescentávamos uma nova parada ao trem.

E, quase sem perceber, os ensaios para a apresentação se transformaram em uma brincadeira que as crianças adoravam fazer.

Nossa viagem começou com um trem

A primeira poesia foi Trem de ferro, de Manuel Bandeira.

Conversamos sobre o que aparecia no poema: o trem, a fumaça, os sons, a viagem. Depois, organizamos as cadeiras como se fossem vagões e começamos a brincar, imitando com o corpo e a voz os sons daquele trem. Essa exploração já fazia parte do planejamento inicial do projeto "O trem da poesia".

Foi a partir daí que nossa viagem começou a ganhar forma.

Teríamos um maquinista, um ajudante e os passageiros. Para embarcar, havia até bilhete. E cada parada seria uma estação com o nome de um poeta.

Sempre gostei de apresentar às crianças o autor dos textos que trabalhávamos. No Trem da Poesia, eles ganharam ainda mais destaque: eram os autores que davam nome às nossas estações.

A cada estação, uma nova poesia

Conforme o trem avançava, novos autores e poesias chegavam à sala.

Com Guarda-chuvas, de Rosana Rios, levei um guarda-chuva para a roda antes de apresentar o texto. A partir daquele objeto, as crianças levantaram hipóteses sobre o que encontrariam na poesia.

Depois da leitura e das conversas, o novo poema entrou na nossa brincadeira. Também fizemos uma proposta artística: cada criança recebeu silhuetas de guarda-chuvas e pôde transformá-las utilizando diferentes materiais.

Em A casa, de Vinicius de Moraes, a poesia encontrou a música. Cantamos, observamos as rimas e conversamos sobre aquela casa tão diferente. Depois, as crianças desenharam como imaginavam a casa descrita no poema.

Com Para ir à lua, de Cecília Meireles, brincamos com a sonoridade das palavras e levamos a poesia para o movimento. Um patinete e um capacete entraram na sala para que as crianças pudessem representar a cena e brincar com aquilo que haviam acabado de conhecer.

Assim, uma poesia não chegava apenas para ser lida. Ela virava conversa, desenho, música, movimento, brincadeira e representação.

Quando o ensaio virou brincadeira

A cada nova estação, voltávamos ao começo da viagem. O trem partia novamente, passava pelas estações que já conhecíamos e incorporava a nova poesia.

Com o tempo, aconteceu algo muito interessante: as crianças já não encaravam aquilo como ensaio. O Trem da Poesia tinha virado uma brincadeira.

Elas sabiam suas falas, mas também conheciam as falas dos colegas. Quando alguém esquecia alguma coisa, outra criança ajudava. Lembravam os movimentos, as posturas e o momento em que cada personagem entrava.

O maquinista e o ajudante tinham um papel especial: eram eles que conduziam a viagem.

Até a parada do trem fazia parte da brincadeira. Quando chegávamos a uma estação, o maquinista levantava o braço, como se puxasse o freio, e todos os passageiros inclinavam o corpo para a frente, simulando a freada. Era um detalhe simples, mas ajudava a fazer daquele conjunto de cadeiras um trem de verdade no faz de conta das crianças.

E quanto mais brincávamos, mais segurança elas adquiriam.

Um lugar para cada criança

Nem todas as crianças se sentiam confortáveis falando diante de outras pessoas — e não precisavam.

As mais tímidas podiam participar como passageiros. Entravam no trem, entregavam seus bilhetes, faziam os movimentos e participavam de toda a experiência sem a obrigação de assumir uma fala individual. Dessa maneira, havia um lugar para todos.

Durante os ensaios, eu também procurava tranquilizá-los sobre a apresentação. Costumava dizer que, se esquecessem alguma fala, não havia problema. Poderiam dizer do jeito que lembrassem e eu estaria ali para ajudá-los caso precisassem.

Mais importante do que uma apresentação perfeita era que se sentissem seguros para participar.

O Trem da Poesia ganha os trilhos

Aos poucos, a brincadeira foi se transformando também em nossa apresentação.

Os figurinos foram organizados com a colaboração das famílias, que providenciaram o que era possível. O que faltava, fazíamos na própria escola.

No roteiro, a viagem começava com a entrada do maquinista e do ajudante. Os passageiros embarcavam, entregavam seus bilhetes e o trem começava a percorrer as estações.

Em cada parada, um autor e uma poesia já conhecidos pelas crianças faziam parte da cena. Passageiros desciam, outros embarcavam e a viagem continuava.

A primeira apresentação aconteceu na escola. Depois, recebemos um convite para apresentar O Trem da Poesia em um encontro de coordenadores.

No vídeo, dá para observar alguns detalhes da nossa brincadeira: a entrada e a saída dos passageiros, a participação do maquinista e do ajudante e até o movimento que as crianças faziam quando o trem “freava” em cada estação.

Registro do Trem da Poesia em uma apresentação realizada em um encontro de coordenadores