Roda de Conversa na Pré-Escola: Aprendizagens Ativas
Descubra como a roda de conversa na pré-escola transforma a educação infantil, promovendo escuta ativa, movimento e diversas aprendizagens. Confira práticas que enriqueceram minha rotina na educação infantil e como aplicá-las.
APRENDIZADOS DA PRÁTICA
8/9/2026


A roda de conversa fazia parte da minha rotina praticamente todos os dias.
Geralmente acontecia no início da aula e, para mim, sempre foi um momento de muita aprendizagem. Mas nossas rodas não eram iguais todos os dias — e acredito que justamente aí estava uma de suas riquezas.
Em alguns dias, a conversa era livre. As crianças contavam algo que havia acontecido em casa, falavam sobre uma brincadeira, compartilhavam uma novidade ou simplesmente diziam aquilo que tinham vontade.
E quanta coisa aparece quando damos espaço para uma criança falar!
Em outros, a conversa era direcionada para algum assunto que estávamos trabalhando. Eu fazia perguntas, ouvia as respostas e incentivava as crianças a falar, pensar e explicar suas ideias.
A roda também organizava o nosso dia
Era nesse momento que organizávamos as fichas da rotina em um varal. As crianças podiam visualizar o que aconteceria naquele dia: atividades, lanche, parque, história...
Pode parecer algo simples, mas saber o que vai acontecer ajuda a criança a compreender a rotina, antecipar acontecimentos e participar dela com mais autonomia.
Também explorávamos o calendário: o dia da semana, acontecimentos importantes, aniversários, eventos da escola e outras situações que faziam sentido para a turma.
E gostava muito de trazer histórias interativas e divertidas para nossas rodas. Algumas despertavam conversas que eu nem havia planejado — e muitas vezes eram justamente essas conversas que tornavam aquele momento tão rico.
A chamada pode ser uma experiência de aprendizagem
A chamada também fazia parte desse momento, mas eu gostava de variar bastante a maneira de realizá-la. Minha chamada na parede sempre foi interativa. Não queria que fosse apenas uma forma de descobrir quem veio ou quem faltou.
As fichas com os nomes ofereciam muitas possibilidades. Explorávamos o reconhecimento do próprio nome, as letras iniciais, os sons e as semelhanças e diferenças entre os nomes das crianças.
Mas não tudo no mesmo dia.
Em cada proposta eu procurava escolher uma intenção, de acordo com aquilo que queria explorar com a turma. Uma das chamadas preferidas da minha última turma era a “chamada com cambalhota”.
Eu mostrava uma ficha. A criança reconhecia seu nome, levantava, procurava sua letra inicial entre as letras disponíveis na parede ou em uma caixa, fazia uma cambalhota no colchonete, pegava sua ficha e a colocava no painel da chamada.
Era uma festa!
Enquanto brincavam, as crianças estavam reconhecendo o próprio nome, identificando letras, percebendo seus sons, desenvolvendo a atenção e explorando movimentos do corpo.
Para elas, era uma brincadeira. Para mim, havia uma intencionalidade por trás de cada etapa.
E quando todo mundo quer falar ao mesmo tempo?


Quem trabalha com crianças pequenas conhece bem essa cena. No início, todos querem contar suas novidades ao mesmo tempo. E aprender a ouvir o outro e esperar a própria vez também faz parte do processo.
Eu conversava bastante sobre o respeito à fala do colega, mas algumas estratégias simples ajudavam.
Uma delas era usar um ursinho de pelúcia. A regra era: só fala quem está com o ursinho. Depois de falar, a criança passava o ursinho para o colega ao lado.
Aos poucos, aquilo que inicialmente precisava de um recurso concreto começava a fazer parte da convivência: esperar, ouvir e compreender que o outro também tem algo a dizer.
Nem toda roda precisa ser igual
Talvez essa seja uma das principais dicas que eu daria a quem está começando. A roda de conversa não precisa significar repetir diariamente as mesmas perguntas.
Podemos ter uma roda para conversar livremente, outra para apresentar um assunto, contar uma história, explorar os nomes, fazer uma chamada diferente ou simplesmente aproveitar uma conversa que nasceu de algo trazido pelas próprias crianças.
Alguns dias nossas rodas eram tão produtivas que nem percebíamos o tempo passar.
E isso também me ensinou algo: a rotina é importante, mas não precisa ser engessada.
Quando uma conversa desperta curiosidade, participação e aprendizagem, talvez seja justamente o momento de permitir que ela continue.
Afinal, o que a criança aprende na roda?
Na roda, a criança amplia seu vocabulário, organiza o pensamento para contar uma experiência, aprende a ouvir, esperar sua vez, expressar opiniões, fazer perguntas e conhecer outros pontos de vista.
Ao explorar a rotina e o calendário, constrói gradativamente noções de tempo e sequência. Nas brincadeiras com os nomes, aproxima-se da linguagem escrita de maneira significativa. Nas propostas que envolvem movimento, também experimenta diferentes possibilidades do próprio corpo.
Mas existe uma aprendizagem que considero ainda mais importante:
a criança percebe que aquilo que tem a dizer merece ser ouvido.
Quando o professor realmente escuta, em vez de apenas esperar uma resposta pronta, a roda se transforma em um verdadeiro espaço de participação.
Dicas da Prô Edi para uma boa roda
Varie as propostas. Nem toda roda precisa acontecer da mesma maneira.
Reserve momentos para a conversa livre. Nem tudo precisa partir do professor.
Faça perguntas que convidem a criança a pensar e se expressar, em vez de buscar apenas respostas certas.
Não queira explorar tudo no mesmo dia. Escolha sua intenção.
Use recursos concretos quando necessário. Um simples ursinho pode ajudar a aprender a esperar e ouvir.
Observe também quem fala pouco. Escutar e observar também são formas de participar.
Esteja aberta ao inesperado. Algumas das melhores conversas não estavam no planejamento.
Respeite o tempo das crianças. Uma roda produtiva não é necessariamente uma roda longa.
Depois de tantos anos realizando rodas de conversa, continuo acreditando que esse é um dos momentos mais ricos da rotina na Educação Infantil.
Porque ali não estamos apenas ensinando uma criança a esperar sua vez de falar.
Estamos mostrando que ela tem o que dizer — e que vale a pena ouvi-la.
Prô Edi - Pré-Escola
30 anos de prática pedagógica e afeto na educação infantil.
Contato
contato@proedi.com.br
© 2026 Prô Edi - Pré-Escola-30 anos dedicados à sala de aula com afeto e orientação prática.
