Tintas naturais com alimentos: atividade para Educação Infantil

Aprenda a fazer tintas naturais com alimentos, e veja como realizamos essa experiência de cores e pintura com uma turma de Educação Infantil de 4 e 5 anos.

PRÁTICAS PEDAGÓGICAS

9/22/20265 min read

Você já imaginou transformar beterraba, couve, café ou repolho-roxo em tinta?

Esta experiência aconteceu com uma turma de Educação Infantil, com crianças de 4 e 5 anos, e fazia parte de um projeto maior sobre alimentação. Durante o projeto, os alimentos apareceram de muitas maneiras: nas conversas, nas brincadeiras, nas experiências com os sentidos, no preparo de receitas e nas investigações realizadas com as crianças.

Em uma dessas propostas, resolvemos experimentar algo diferente: produzir nossas próprias tintas naturais com alimentos e depois pintar com elas.

E o mais interessante não foi somente o resultado. Foi acompanhar todo o processo.

Primeiro, precisávamos produzir as tintas

Eu poderia ter levado as cores prontas para a sala. Mas boa parte da experiência estava justamente em descobrir com as crianças como aqueles alimentos poderiam se transformar em tinta.

Organizamos os ingredientes e os utensílios sobre a mesa e começamos nossos testes.

Tínhamos beterraba, folhas verdes, repolho-roxo, café, canela, páprica... E também liquidificador, peneira, recipientes, água, cola e amido de milho.

Elas colocaram ingredientes no liquidificador, observaram as misturas e participaram das diferentes etapas do preparo.

Crianças participando do preparo de tintas naturais com alimentos
Crianças participando do preparo de tintas naturais com alimentos
Crianças colocando folhas no liquidificador para preparar tinta natural verde
Crianças colocando folhas no liquidificador para preparar tinta natural verde

Depois de bater as folhas com um pouco de água, ainda precisávamos coar. E lá estavam novamente as pequenas mãos participando.

A folha que tínhamos colocado no liquidificador já não parecia a mesma. Mudaram a forma, a textura e a consistência.

E ainda nem tínhamos começado a pintar.

Quantas cores conseguimos produzir?

No planejamento inicial, a proposta era fazer tintas naturais com beterraba, cenoura e espinafre.

Mas fui pesquisando e experimentando outras possibilidades e nossa paleta acabou crescendo

Tivemos rosa, verde, roxo, marrom, tons avermelhados e até azul.

As tintas também não ficaram todas iguais. Algumas ficaram mais encorpadas; outras, mais líquidas. Algumas produziram cores fortes no papel e outras deixaram marcas mais suaves.

Isso não foi um problema.

Também fazia parte da experiência.

Tintas prontas. Hora de pintar!

Levamos nossas novas cores para a área externa.

Organizamos os papéis, pincéis e tintas e deixamos que cada criança experimentasse.

Não havia desenho pronto. Não havia modelo para copiar.

Crianças coando a mistura de folhas usada para produzir tinta natural verde
Crianças coando a mistura de folhas usada para produzir tinta natural verde

Algumas crianças misturaram cores. Outras fizeram linhas, formas e desenhos. Algumas ocuparam quase todo o papel; outras deixaram espaços.

Crianças realizando pintura com tintas naturais ao ar livre Produções	pinturas-tintas-naturais-crian
Crianças realizando pintura com tintas naturais ao ar livre Produções	pinturas-tintas-naturais-crian

Foto: Acervo pessoal – Prô Edi

Era a mesma proposta, os mesmos materiais e as mesmas tintas.

Mas os resultados foram completamente diferentes.

Produções das crianças feitas com tintas naturais de alimentos
Produções das crianças feitas com tintas naturais de alimentos

Foto: Acervo pessoal – Prô Edi

É uma das coisas que mais gosto de observar nas propostas de pintura livre: quando não mostramos o que a criança deve fazer, aparecem caminhos que provavelmente nós não teríamos imaginado.

Quer fazer tintas naturais com sua turma?

Uma observação antes de começar: com exceção da tinta azul, não trabalhei com proporções exatas.

Fui acrescentando água, cola ou amido aos poucos e observando a cor e a consistência. Por isso, as quantidades precisam ser ajustadas durante o preparo.

Rosa – beterraba

Bata a beterraba no liquidificador com pouca água e coe. Depois, acrescente amido de milho ou cola branca aos poucos até chegar à consistência desejada.

Verde – couve ou espinafre

Bata as folhas no liquidificador usando o mínimo possível de água.

As próprias folhas soltam líquido e muita água pode deixar a tinta rala. Depois de bater, coe e acrescente amido aos poucos para ajustar a consistência.

Roxo – suco de uva

Misture o suco de uva com cola branca, acrescentando aos poucos até obter uma consistência adequada para pintar.

Marrom – café ou canela

Misture café em pó ou canela com um pouco de água e cola branca. Vá acrescentando os líquidos aos poucos.

Vermelho e laranja – páprica ou urucum

Misture a páprica ou o urucum com pouca água e cola branca, ajustando a consistência durante o preparo. A beterraba também pode ser utilizada para obter outros tons avermelhados.

Azul – repolho-roxo

Para esta tinta, utilizei:

½ cabeça de repolho-roxo picado
água suficiente apenas para cobrir levemente o repolho
1 colher (chá) de bicarbonato de sódio
amido de milho

Coloque o repolho e a água em uma panela e cozinhe por aproximadamente 15 minutos.

Espere esfriar e coe.

Depois, acrescente o bicarbonato aos poucos, mexendo e observando a mudança de cor até chegar ao azul.

Por último, acrescente o amido de milho e ajuste a quantidade de acordo com a consistência desejada.

Eu fiz essa última etapa com a mistura fria porque queria realizá-la junto com as crianças. Por isso, nossa tinta ficou mais líquida.

Se você preferir uma tinta mais encorpada, pode voltar a mistura ao fogo depois de acrescentar o amido para engrossá-la. Nesse caso, essa etapa deve ser feita pelo adulto e a tinta oferecida às crianças somente depois de fria.

Uma dica: comece sempre com pouca água. É muito mais fácil acrescentar líquido aos poucos do que tentar corrigir uma tinta que ficou rala demais.

O que cabe dentro de uma experiência como essa?

Embora a atividade tenha surgido dentro de um projeto sobre alimentação, muita coisa aconteceu enquanto preparávamos e utilizávamos as tintas.

As crianças participaram, fizeram escolhas, observaram transformações, compararam cores e consistências, lidaram com quantidades e utilizaram aquilo que produziram para criar livremente.

A experiência também dialoga diretamente com objetivos da BNCC relacionados à expressão por meio da pintura e à observação das transformações que acontecem nos materiais.

Talvez seja justamente isso que torne propostas assim tão interessantes na Pré-escola.

Começamos com alimentos sobre uma mesa.

Terminamos com cores, pinturas e muitas descobertas.

Foto: Acervo pessoal – Prô Edi

Produções das crianças feitas com tintas naturais de alimentos
Produções das crianças feitas com tintas naturais de alimentos

Foto: Acervo pessoal – Prô Edi

Foto: Acervo pessoal – Prô Edi

Foto: Acervo pessoal – Prô Edi

Foto: Acervo pessoal – Prô Edi