Atividades e brincadeiras na Educação Infantil

Conheça 6 atividades e brincadeiras na Educação Infantil. Propostas completas que exploram movimento, coordenação motora e aprendizagem, alinhadas à BNCC.

10/13/20269 min read

Crianças realizando atividade de movimento e equilíbrio na Educação Infantil
Crianças realizando atividade de movimento e equilíbrio na Educação Infantil

Acervo pessoal - Prô Edi

Acervo pessoal - Prô Edi

Acervo pessoal - Prô Edi

Quem trabalha com crianças pequenas sabe o quanto elas gostam de se movimentar. Correr, pular, equilibrar-se, dançar, imitar personagens e explorar os espaços fazem parte do seu cotidiano.

Na Educação Infantil, essas experiências vão muito além de gastar energia. Enquanto brincam, as crianças descobrem as possibilidades do próprio corpo, desenvolvem a coordenação motora, aprendem a lidar com desafios e interagem com os colegas.

E o melhor é que não precisamos de materiais sofisticados para proporcionar essas experiências.

Neste artigo, compartilho seis atividades e brincadeiras para a Educação Infantil que utilizo ou que podem ser facilmente adaptadas para crianças de 4 e 5 anos. São propostas simples, divertidas e cheias de possibilidades de aprendizagem.

Movimento e aprendizagem na BNCC

Na Educação Infantil, o movimento não precisa acontecer apenas em atividades específicas de coordenação motora. Ele pode estar presente nas histórias, nas músicas, nos jogos e nas brincadeiras do cotidiano.

Essa proposta está alinhada à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que considera as interações e a brincadeira os eixos estruturantes da Educação Infantil.

No campo de experiências Corpo, gestos e movimentos, a BNCC valoriza situações em que as crianças exploram o espaço, experimentam movimentos, expressam sentimentos e descobrem diferentes possibilidades de utilizar o corpo.

Isso muda bastante o planejamento.

Em vez de trabalhar o movimento apenas de forma isolada, podemos integrá-lo a experiências que envolvam também a linguagem, a imaginação, o raciocínio e a convivência.

Uma história pode se transformar em uma brincadeira corporal, uma música pode explorar gestos e ritmos, e um circuito pode apresentar desafios que envolvam o corpo e o pensamento.

Essa integração entre diferentes linguagens também aparece em outras propostas que já compartilhei por aqui. No projeto O Trem da Poesia, por exemplo, literatura, expressão oral e movimento caminham juntos em uma experiência cheia de significado para as crianças.

O importante é oferecer experiências significativas, respeitando as possibilidades e o ritmo de cada criança.

6 atividades e brincadeiras para desenvolver o movimento

As atividades a seguir podem ser realizadas na sala ou em espaços externos, com adaptações conforme a organização e as necessidades da turma.

1. Circuito motor: desafios e descobertas

O circuito motor é uma das atividades que mais utilizo com minhas turmas. Além de divertido, permite explorar diferentes movimentos com materiais que geralmente já temos na escola.

Materiais: cadeiras, cordas, colchonetes, mesas, bancos e outros objetos disponíveis.

Como organizar

Monte um percurso com diferentes desafios. As crianças podem:

  • Caminhar sobre uma corda estendida no chão.

  • Passar por baixo de uma mesa.

  • Contornar obstáculos.

  • Rastejar sobre um colchonete.

  • Equilibrar-se em superfícies baixas e seguras.

  • Saltar pequenos obstáculos.

Antes de começar, apresente o percurso e converse sobre os movimentos que serão realizados.

Gosto de variar os circuitos, utilizando tanto a sala quanto a área externa. A mudança de espaço e de materiais traz novos desafios e mantém o interesse das crianças.

O que podemos explorar?

Equilíbrio, coordenação motora ampla, orientação espacial, planejamento dos movimentos e autonomia.

Também é interessante observar como cada criança encontra soluções para superar os obstáculos. Algumas realizam o percurso com facilidade, enquanto outras precisam experimentar diferentes maneiras de vencer um desafio.

O importante não é terminar primeiro, mas participar, experimentar e perceber as próprias conquistas.

Crianças realizando circuito motor com mesas e cadeiras na Educação Infantil
Crianças realizando circuito motor com mesas e cadeiras na Educação Infantil

2. Yoga para crianças: brincar de imitar

A yoga é outra proposta que utilizo e que costuma proporcionar momentos muito divertidos.

Para apresentar a atividade, utilizo fichas ilustradas com diferentes posições e convido as crianças para uma brincadeira:

Vamos imitar os movimentos dos animais e das coisas?

Mostro uma ficha, conversamos sobre o que aparece na imagem e tentamos reproduzir a posição com o corpo.

Aos poucos, as crianças vão descobrindo diferentes maneiras de se equilibrar, alongar e controlar os movimentos.

O mais interessante é observar suas reações.

Algumas posições parecem fáceis, outras exigem várias tentativas. Quando conseguem realizar um movimento que parecia difícil, comemoram com entusiasmo.

E a cooperação aparece naturalmente: uma criança observa a outra, oferece ajuda ou mostra como conseguiu realizar determinada posição.

É uma festa de descobertas!

O que podemos explorar?

Equilíbrio, consciência corporal, flexibilidade, concentração e percepção dos limites e das possibilidades do próprio corpo.

Não é necessário exigir posições perfeitas. A proposta é experimentar movimentos de maneira lúdica, respeitando as possibilidades de cada criança.

Acervo pessoal - Prô Edi

3. Boneco de Borracha: história e movimento

Essa é uma atividade que une imaginação, linguagem e movimento.

A proposta é simples: enquanto a professora conta uma história, as crianças acompanham a narrativa realizando os movimentos do personagem.

O Boneco de Borracha passeia pelo jardim e enfrenta diferentes situações que fazem seu corpo mudar de posição.

Quando o vento sopra, ele se inclina para um lado. Depois, para o outro. Anda para frente, para trás, fica comprido, encolhe e se espalha pelo chão.

As crianças acompanham cada transformação utilizando o próprio corpo.

Como realizar

Organize um espaço onde todos possam se movimentar livremente.

Conte a história devagar, fazendo pequenas pausas para que as crianças experimentem os movimentos.

Durante a narrativa, incentive diferentes possibilidades corporais: ficar alto, baixo, inclinar-se, alongar-se, encolher-se e mudar de direção.

Ao final, o boneco se transforma em um menino de verdade, encerrando a brincadeira.

O que podemos explorar?

Consciência corporal, equilíbrio, coordenação motora ampla, orientação espacial, atenção, imaginação e diferentes possibilidades de movimento do corpo.

Crianças percorrendo circuito motor com corda no chão
Crianças percorrendo circuito motor com corda no chão
Crianças experimentando posições de equilíbrio em atividade de yoga
Crianças experimentando posições de equilíbrio em atividade de yoga

4. Estátua: movimento, regras e muita torcida

A brincadeira de estátua é conhecida pelas crianças e muito fácil de organizar.

Costumo utilizar músicas de que elas gostam. Enquanto a música toca, todos podem dançar e se movimentar livremente. Quando a música para, precisam ficar imóveis como estátuas.

Quem se movimenta sai daquela rodada.

No início, algumas crianças ficam frustradas quando precisam sair da brincadeira. Esse é um momento importante para conversar sobre as regras.

Explico que quem sai pode sentar, continuar acompanhando a brincadeira e torcer pelos amigos. Também reforço que haverá outras oportunidades para brincar novamente.

Aos poucos, elas compreendem essa dinâmica e a torcida passa a fazer parte da diversão. É muito gostoso observar como continuam envolvidas, mesmo quando já não estão participando daquela rodada.

Assim, uma brincadeira simples de movimento também proporciona experiências importantes de convivência.

O que podemos explorar?

Coordenação motora ampla, ritmo, atenção, controle dos movimentos, compreensão de regras, espera e convivência com o grupo.

5. Caça ao tesouro: movimento e investigação

A caça ao tesouro é uma brincadeira que desperta muita curiosidade. Além de se movimentarem pelos espaços, as crianças precisam ouvir as pistas, pensar sobre elas e decidir onde procurar.

Materiais: um objeto para ser o tesouro e pistas simples, que podem ser escritas ou ilustradas.

Como organizar

Escolha um local da sala ou da área externa para esconder o tesouro.

Prepare algumas pistas relacionadas aos espaços que as crianças conhecem. Elas podem indicar características do lugar ou dar pequenas orientações que ajudem a descobrir onde está a próxima pista.

Reúna as crianças e apresente a primeira pista. Antes de começarem a procurar, converse com elas:

Onde será que precisamos procurar?
O que essa pista está querendo nos dizer?

A cada descoberta, uma nova pista conduz o grupo até chegar ao tesouro.

Gosto dessa proposta porque a empolgação de encontrar o objeto faz com que as crianças se envolvam naturalmente. Elas observam o ambiente, levantam hipóteses, conversam entre si e tentam descobrir juntas qual caminho seguir.

Depois que já conhecem bem a brincadeira, podemos propor um novo desafio: uma criança ou um pequeno grupo esconde um objeto e ajuda a criar pistas para que os colegas o encontrem.

O que podemos explorar?

Orientação espacial, atenção, linguagem oral, memória, raciocínio, cooperação e resolução de pequenos desafios.

6. Brincadeira das cores: ouvir e se movimentar

Essa é uma brincadeira simples, animada e que praticamente não exige preparação. As crianças ficam espalhadas pela sala e acompanham a música:

Vamos brincar das cores,
a cor que eu falar,
a cor que eu disser
você vai ter que encostar.

Contar até cinco e depois voltar

Depois, escolho uma cor.

Assim que ouvem o nome, as crianças precisam procurar pela sala alguma coisa daquela cor e encostar nela. Quando acaba a contagem todos retornam e a brincadeira começa novamente com uma nova cor.

Ouça a música da brincadeira das cores no YouTube.

As crianças ficam muito envolvidas, principalmente porque precisam encontrar a cor antes que a contagem termine. E é interessante observar as estratégias que aparecem.

Algumas percebem rapidamente que a cor escolhida está na própria roupa ou no sapato e já encontram onde encostar. Outras percorrem a sala procurando objetos que tenham aquela cor.

O que podemos explorar?

Percepção e reconhecimento das cores, atenção, escuta, orientação espacial, coordenação motora ampla e rapidez na tomada de decisões.

Movimento também é aprendizagem

Quando proporcionamos experiências como essas, percebemos que movimentar-se na Educação Infantil não significa apenas correr, pular ou gastar energia.

Enquanto brincam, as crianças aprendem a observar, tomar decisões, enfrentar pequenos desafios, esperar, respeitar regras, cooperar e tentar novamente.

E muitas dessas conquistas estão relacionadas também à construção da autonomia. No artigo Autonomia na Educação Infantil, compartilho outras situações do cotidiano que ajudam as crianças a fazer cada vez mais coisas por si mesmas.

Não precisamos de atividades complicadas ou de muitos materiais para criar boas experiências.

Um circuito feito com aquilo que temos na escola, uma história que convida o corpo a se movimentar, uma música ou uma brincadeira conhecida podem se transformar em momentos ricos de aprendizagem quando sabemos o que queremos proporcionar às crianças.

Mais importante do que realizar o movimento perfeitamente é experimentar, descobrir possibilidades e participar.

Porque, na Educação Infantil, tudo é aprendizagem.

O Boneco de Borracha

Autor desconhecido

Era uma vez um boneco de borracha que ficava de todos os jeitos com o corpo, mas não falava, não fazia barulho e mexia-se bem devagar.

Ele gostava de passear no jardim olhando as flores coloridas, os pássaros, as borboletas e as abelhas que voavam no alto.

De repente, veio um vento forte... Nossa! O boneco de borracha ficou torto e agora ele anda todo torto, virado só para um lado.

E assim ele continuou o passeio. Ufa! O vento parou, e ele então voltou ao normal. Agora ele conseguia andar tanto para frente, como para trás.

O vento voltou de novo. Aí, ele entortou-se para frente e anda olhando para baixo. Parece até que procura alguma coisa no chão.

Mas de repente, o vento mudou de direção e fez o boneco entortar-se para trás. Agora ele só vê o que está lá no alto: o céu, as estrelas, os pássaros e as borboletas.

Finalmente o vento parou de vez. O boneco de borracha endireitou-se e continuou o passeio observando tudo o que estava ao seu redor.

Engraçado é que quando o boneco de borracha chegava perto de uma árvore ficava bem magrinho e bem comprido, do tamanho da árvore. Então o boneco andava elegante, esticado e comprido, quase alcançando o céu.

Quando chegava perto de uma roseira e sentia o cheiro das rosas, o boneco ficava todo gordo e pesado como um elefantinho. Para andar, até fazia um barulhão.

Ah! O boneco de borracha estava cansado de tanto passear. Então ele deitou-se no chão para descansar e... surpresa! Ele ficou pequenininho, encolhidinho. Podia até caber numa caixa de sapato. Bem pequeno mesmo.

De repente crescia, crescia, espalhava-se para todos os lados, crescia, crescia e crescia. Crescia tanto que ocupava um grande espaço no chão.

Ficava pequeno de novo, pequeno, pequeno, bem pequeno. E adormecia todo pequenininho...

Até que amanheceu e chegou o sol. O boneco de borracha que estava quietinho, foi se mexendo devagar, esticando-se para todos os lados, esticando os pés, as pernas, o tronco, os dedos, as mãos e os braços.

Ele levantou-se e virou gente. Agora sim, ele consegue conversar, falar bem baixinho com quem está perto dele.

Essa é a história do boneco de borracha que virou gente.